Compostos de planta brasileira mostram potencial contra a Covid-19, aponta estudo internacional

11/05/2026

Substâncias extraídas de uma árvore nativa da Mata Atlântica colocam a biodiversidade brasileira novamente no centro das pesquisas científicas globais. Um estudo recente indica que compostos da chamada copaíba-vermelha podem atuar diretamente contra o vírus SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, ao interferir em diferentes etapas do ciclo de infecção.

A pesquisa, conduzida por cientistas de diferentes países, investigou compostos presentes nas folhas da espécie Copaifera lucens, conhecida por seu histórico de aplicações medicinais. O trabalho aponta que essas substâncias são capazes de bloquear tanto a entrada do vírus nas células humanas quanto sua replicação, dois processos fundamentais para a progressão da doença.

O foco dos pesquisadores recaiu sobre os chamados ácidos galoilquínicos, moléculas já conhecidas por suas propriedades farmacológicas. Em estudos anteriores, esses compostos haviam demonstrado atividades antifúngicas, anticancerígenas e antivirais, inclusive com resultados promissores contra o HIV-1 em ambiente laboratorial.

No novo estudo, os cientistas isolaram frações ricas nesses compostos e realizaram uma série de testes em células para avaliar tanto a eficácia quanto a segurança. Os resultados mostraram que as substâncias não apenas reduziram significativamente a capacidade do vírus de infectar células, mas também interferiram na produção de proteínas virais essenciais, comprometendo a multiplicação do patógeno.

Outro ponto relevante destacado pelos pesquisadores é o chamado mecanismo de ação "multialvo". Diferentemente de muitos antivirais tradicionais, que atuam sobre um único componente do vírus, os compostos da copaíba-vermelha afetam múltiplas estruturas e processos, como a proteína Spike — responsável pela entrada do vírus —, enzimas ligadas à replicação e mecanismos de evasão imunológica. Essa abordagem reduz, em tese, a chance de desenvolvimento de resistência viral.

Além da ação direta contra o vírus, os compostos também apresentaram propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras. Esse efeito pode ser particularmente relevante em casos graves de Covid-19, nos quais a resposta inflamatória exacerbada do organismo contribui para o agravamento do quadro clínico.

Apesar dos resultados considerados promissores, os próprios autores ressaltam que a pesquisa ainda está em estágio inicial. Os testes foram realizados em ambiente controlado, e novas etapas — incluindo estudos em animais e ensaios clínicos em humanos — serão necessárias antes que qualquer aplicação terapêutica seja viabilizada.

O estudo reforça, no entanto, o potencial estratégico da biodiversidade brasileira para o desenvolvimento de novos medicamentos. Ao explorar compostos naturais de espécies nativas, cientistas ampliam o repertório de possíveis tratamentos e destacam a importância da preservação ambiental aliada ao avanço da ciência.

Share